sexta-feira, 14 de novembro de 2008


OS CEGOS

Contemplai-os minha alma; eis que são pavorosos!

São como manequins, vagamente risíveis;

E sonâmbulos são, singulares, terríveis;

E quem sabe aonde vão seus globos tenebrosos?

Seus olhos, donde a chama eterna é partida,

Como se olhassem longe estão no firmamento;

E não se vê jamais, por sobre o pavimento,

Inclinar vagamente a fronte sucumbida.

Atravessam assim a infinda escuridade,

Esta irmã do silencio imutável, cidade!

Enquanto em torno a nós é um lamento o teu canto

Que é tão atroz que chega a perder-se no orgasmo,

Vê que eu erro também e mais do que eles pasmo,

Digo: "O que pelos céus eles procuram tanto?"

baudelaire

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